quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Mundo S/A - Política de incentivo no Reino Unido fortalece empresas de tecnologia | globo.tv

Mundo S/A - Política de incentivo no Reino Unido fortalece empresas de tecnologia | globo.tv

RUMO À CIDADE EM TEMPO REAL (texto)

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Desenvolvimento Urbano numa Sociedade Globalizada e Telemediática

Stephen Graham* catedrático em Planejamento Urbano do Centro de Tecnologia Urbana da Universidade de Newcastle, Inglaterra

“Um mundo feito de redes desafia, em muitas frentes, as categorizações tradicionais e as estruturas intelectuais. Questiona as velhas concepções de espaço e poder. Enquanto as antigas economias de mercado se formaram a partir de ordenações espaciais e temporais da vida das cidades, as economias de hoje baseiam-se numa ordenação lógica ou ‘virtual’ da comunicação eletrônica, numa nova geografia de conexões e sistemas, de centros de processamento e controle (...) Redes de computadores, cabos e comunicações via rádio governam (agora) o destino das coisas, como elas são remuneradas, e quem tem acesso a quê. As manifestações físicas de poder - paredes, fronteiras, auto-estradas e cidades - foram sobrepostas por um mundo ‘virtual’ de sistemas de informação, bases de dados e redes. As edificações estão sendo redefinidas em função de suas posições nas redes à medida que ‘casas inteligentes’ se juntam a escritórios eletrônicos e fábricas automatizadas.”

Geoff Mulgan, Communication and Control (1991;3) citado por Grahan

domingo, 2 de setembro de 2012

Redes e tecnologia 1

Tecnologia é a sociedade, e a sociedade não pode ser entendida ou representada sem suas ferramentas tecnológicas. (CASTELLS. P. 25. no transcorrer do curso será confrontado com (Cf.) diversos autores. (...) A ênfase nos dispositivos personalizados (pcs, notebooks, pages, smarphones, tablets), na interatividade, na formação de redes e na busca de novas descobertas tecnológicas. (...) produziram inovação tecnológica (culturas e organizações), acelerando a velocidade e o escopo das transformações tecnológicas. (CASTELLS.P. 25).
O resultado foi uma arquitetura de rede que não pode ser controlada a partir de nenhum centro e é composta por milhares de redes de computadores autônomos com inúmeras maneiras de conexão, contornando barreiras eletrônicas. (CASTELLS.P. 26)

O espaço dos fluxos das redes mundiais é resultante de dinâmicas produtivas e comunicativas.

A difusão mundial da lógica das redes tem modificado os processos produtivos, o poder, a cultura e a experiência. As redes converteram-se na base de criação de riquezas e do conhecimento na economia mundial. Entretanto, esta sentença refere-se predominantemente às redes sociotécnicas, que estão se tornando simultaneamente, globais e locais, na medida em que se ampliam os tipos de conexões técnicas e organizacionais mundiais em determinados espaços locais. José Luis Aidar Prado (2001) adverte que da afirmação da operacionalidade das redes, da velocidade da circulação e do consumo decorre uma “naturalização” das redes mundiais, que omite o modo como se constroem o poder dos fluxos e os discursos que lhe dão suporte.
O termo rede é apropriado de outros campos de conhecimento, expressan-do uma espécie de tecido das relações sociais e produtivas. As redes são reais e virtuais, técnicas e sociais, locais e globais, integradoras e desintegradoras (SANTOS, 1997).

Discussão aprofundada será feita no tópico do curso caracterização das redes. 

Referências
CASTELLS, Manuel. A Sociedade em redes. São Paulo: Paz e Terra, 2000.

MIRANDA, Clara Luiza. Dispositivos Territoriais das Redes Mundiais. Tese de Doutorado. São Paulo: PUCSP, 2004.
PRADO, José Luiz Aidar. O enredamento globalizante de Castells. In. PRADO, José Luiz Aidar & SOVIK, Liv. (orgs). Lugar Global e Lugar nenhum: Ensaios sobre de-mocracia e globalização. São Paulo: Hacker Ed., 2001.
SANTOS, Milton. Técnica, Espaço, Tempo. Globalização e Meio Técnico-Científico Informacional. São Paulo: HUCITEC, 1997.
 


Fábrica do homem endividado


Alguns anos de "globalização", o processo econômico que predomina mostra o fundo do poço que é a "fábrica do homem endividado", livro de Maurizio Lazzarato, a seguir um excerto do livro traduzido.
O crédito é "um dos melhores instrumentos de exploração que o homem soube erigir pois alguns podem, com base em papéis, se apropriar do trabalho e da riqueza dos outros" (Ardent,apud Lazzarato). O que a mídia chama "especulação" se constitui uma máquina de captura ou a depredação de mais-valia nas atuais condições de acumulação capitalista, em que é impossível distinguir a renda do lucro. O processo de mudança das funções de gestão da produção e da propriedade capitalista, que havia começado a desenvolver no tempo de Marx está hoje totalmente concluídas. A "capitalista realmente ativo" é convertido, já dizia Marx, em "um simples  dirigente e administrador do capital", e o "proprietário de capital" em capitalista financeiro ou rentista. 
Reduzir o financiamento as suas funções especulativas significa negligenciar seu papel político como representante da "capital social" (Marx) que os industriais capitalistas não chegam, e não pode assumir, e a função de "coletivo capitalista" (Lenine) que é exercida, através das técnicas de governo e a sociedade como um todo. Ela também significa negligenciar sua função "produtiva", sua capacidade de gerar lucros.
O neoliberalismo como é chamado o modo redutor de capitalismo financeiro, este expressa o aumento da potência do relacionamento credor-devedor. O neoliberalismo gerou a integração do sistema monetário, bancário e financeiro mediante técnicas as quais refletem o compromisso de fazer com que a relação credor-devedor se constitua numa questão política importante, sem qualquer ambiguidade, uma relação de força baseada na 'propriedade'. Na crise, a relação entre proprietários ( de capital) e não-proprietários (de capital) amplia sua influência sobre todas as outras relações sociais.
 
 
Referência
LAZZARATO, Maurizio. La fabrique de l’homme endetté. Essai sur la condition néolibérale, Paris: Éditions Amsterdam, 2011

Globalização, dois aspectos chave


Segundo Pierre Veltz (2000), dois aspectos-chave para o desenvolvimento das economias urbanas são: primeiro, a nova "centralidade" das grandes cidades como sistemas de controle da economia globalizada e, segundo, uma tendência paralela de descentralização dos serviços de rotina para fora destas cidades mundiais. Em consequência destes processos de polarização e descentralização, embaralham-se as diferenças entre metrópoles e ‘províncias’ tanto em escala nacional quanto em escala internacional.
A globalização para Pierre Veltz (2000) é uma estratégia para dominar a diversidade resultante das organizações multilocalizadas e de seus procedimentos de diversificação e valorização de produtos. Assim, a globalização se beneficia de uma visão ampla da demanda e da concorrência, baseada numa abordagem global da diversidade de situações regionais ou nacionais enfrentadas. Neste sentido, em termos organizacionais, as firmas podem encarnar múltiplos formatos e prender-se a formas geográficas, também muito variadas.
Contudo, segundo Pierre Veltz (2000), há uma defasagem entre a fase da multilocalização econômica e a fase da globalização, que concerne ao tipo de produto colocado no mercado: um produto manufaturado com alto valor agregado (de alta tecnologia) ou um produto de baixo valor agregado, como as matérias primas destinadas à produção de bens, as chamadas commodities, tais como minério de ferro, vários tipos de grãos, madeira, processados ou em natura. As commodities são os produtos predominantes na pauta de exportação dos portos do Espírito Santo (ES). No Brasil, uma importante porcentagem da indústria optou pela comercialização de commodities, produzidas e comercializadas em milhares de toneladas.
Para Pierre Veltz (2000), a passagem da multilocalização à globalização concerne à produção que agrega alta tecnologia e capacitação, mas também ao momento estratégico de dispersão das empresas no exterior que na globalização se aprimora na diversificação de produtos e da organização, especificamente no cruzamento de uma coordenação forte e configuração geográfica (dispersão, verticalização ou reagrupamento).
A globalização se estabelece por um triplo efeito da técnica, das finanças e da informação. As técnicas obtém redução de custos de transação por alcançarem uma ampla escala internacional (economia de escala). As finanças buscam maior rentabilidade na exploração de novos territórios em tempo real, “sob pressão de redes de venda” (economia de escopo) (BETBÈZE, 2009, p 105). As tecnologias da informação e da comunicação proporcionam e multiplicam a potência desses processos.
As estruturas de produção multiplicam suas dimensões, o que é seguido por um acelerado processo de deslocalização de indústrias e de serviços. “As revoluções tecnológicas acentuam os contrastes e aumentam as precarizações” (BETBÈZE, idem). Nesse processo surgem países emergentes como China e India, Brasil (citados por Betbèze pgs 105 e 113). Ele diz a China nos inquieta por estar nos alcançando (Europa) e também por estar saindo de uma pobreza de massa (BETBÈZE, p. 105). [Não encontrei a data da publicação original, importante nesse caso].

 

Referências

VELTZ, Pierre. Mondialisation, Villes et Territoires, L’Économie D’Archipel. Paris: PUF, 2000
BETBÈZE, Jean-paul. Economia: 100 palavras-chave. Porto Alegre: L&PM, 2009.

 

sábado, 1 de setembro de 2012

Globalização, um conceito comunicacional


Segundo Frederic Jameson (2001), a globalização é um conceito comunicacional, que alternadamente mascara e transmite significados culturais e econômicos. Mas, a abordagem comunicacional é “basicamente incompleta”, Jameson adverte que é sempre possível encontrar outras dimensões embutidas no conceito comunicacional de globalização: o conceito de uma nova cultura mundial, através do postulado da ampliação das redes, e o econômico, que advém da viabilização da produção flexível pelas novas tecnologias da informação e da comunicação.
Os problemas de 'padronização' de mercados e a exploração das diferenças dos locais permitem concluir com Jameson que o conceito de globalização é ambíguo e seus conteúdos 'alternantes' possuem múltiplas possibilidades de exploração. É o que se pretende empreender no desenvolvimento deste 'curso', que não consegue se desvencilhar do enredamento e dos torvelinhos das “novas formas de rotação” da informação e da reflexão.
A compreensão das tendências da globalização solicita o enfrentamento dos “números e outros dados duros, macrossociais” que descorporificam os lugares no mapa, ao mesmo tempo, leva a investigação das descrições sócio-culturais, que captam processos específicos do lugar e as possibilidades de ação em tais processos (CANCLINI, 2003).
O novo espaço público global imaterial e virtual conduz a reavaliação da cidade e da arquitetura, como produto da manufatura, com seu decorrente impacto sólido, visual, tátil de realidade, do qual provém o sentido da objetividade do mundo, como parte da “condição humana” de acordo Hannah Arendt (1995). As tecnologias da informação e da comunicação, mas também as tecnologias articuladas a elas, como a logística, permitem a abertura a processos complexos de intervenção territorial. Estes não se restringem mais apenas ao espaço físico tangível, fixo, e sintetizam diversas situações de reconhecimento e de abordagem.
As condições globais estão progressivamente híbridas e multifacetadas, superpõem flutuações e mutações, acumulando camadas[1] de 'realidade' (objetos físicos) e camadas de informações (GAUSA et al, 2000). Estas possibilidades se chocam com a condição de objeto da manufatura, compreendido como localização e posição sensível, e com a noção de espaço como aquilo “que impede que tudo esteja no mesmo lugar” (VIRILIO, 1993). Destaca-se que as tecnologias da informação e da comunicação, as TICs, operam transformações no território sem necessariamente manifestar índices (tangíveis) ou se tornarem ícones (físicos)[2].


[1] Camada é tomada como um termo correlato a estrato, estratificação: “Cada estrato ou articulação é composto de meios codificados, substâncias formadas. Formas e substâncias, códigos e meios não são realmente distintos. São componentes abstratos de qualquer articulação” (DELEUZE & GUATTARI, 2002).
[2] Refere-se à relação entre signos e territorialização de Deleuze e Guattari (1995): índices (signos territoriais), símbolos (signos desterritorializados) e ícones (signos reterritorializados).

Referências
Garcia Canclini, Néstor. A Globalização Imaginada/Nestor Garcia Canclini - São Paulo: Iluminuras, 2007
DELEUZE, Gilles & GUATARRI, Felix. Mil Platôs. Capitalismo e Esquizofrenia. Vol 3. Rio de janeiro: Ed. 34, 1995

DELEUZE, Gilles & GUATARRI, Felix. Mil Platôs. Capitalismo e Esquizofrenia. Vol 5. Rio de janeiro: Ed. 34, 2002
GAUSA, Manuel, GUALLART, Vicente & MÜLLER, Willy et al. (orgs.). Diccionario Metápolis de arquitectura avanzada. Ciudad y tecnologia en la sociedad de la información. Barcelona: Actar, 2000.
JAMESON, Fredric. Notas sobre a globalização como questão filosófica. In PRADO, José Luiz Aidar & SOVIK, Liv. (orgs). Lugar Global e Lugar nenhum: Ensaios sobre democracia e globalização. São Paulo: Hacker Ed., 2001.
VIRILIO, Paul. Espaço Crítico. São Paulo: Ed. 34, 1991 

Metapolis 1


A metápoles é um território urbano que ultrapassa a estrutura tradicional da cidade, baseado no processamento e combinação de informações simultâneas (tanto localizadas quanto deslocadas no espaço). É um território produzido por meio de superposições, combinações e interações entre (e intra) territórios. Este aspecto relacional remete ao processo informacional, designando um território multimídia, pois, recorre a multimeios como forma de comunicação, informação e formação. Conceito com base em François Ascher (1998).

Metapolis and Urban Life, 10-11th September 2005
Tokyo, Japan
ASCHER, François. Metapolis, Acerca do Futuro da Cidade. Oeiras: Celta, 1998.